Segundo os filósofos, aquilo em que um homem acredita, acaba sendo a sua realidade. Durante anos eu disse que não era mecânico e não era mecânico. Ao dizer que não sabia sequer distinguir uma ferramenta de outra, fechava-se as portas de um mundo de luz. Tinha de haver alguém para consertar os meus aviões para que eu pudesse voar.
Ai, comprei um louco e velho biplano, com um motor circular e demodê no focinho, e não demorei a descobrir que aquele motor, não ia tolerar um piloto que não soubesse nada sobre a personalidade de um Wright de 175 cavalos, ou algo sobre reparos em estruturas de madeira e tela encerada.
Foi assim que aconteceu a coisa mais estranha de toda a minha vida... mudei de maneira de pensar. Aprendi a mecânica dos aviões.
O que todo o mundo sabia há muito tempo, para mim foi como uma aventura. Por exemplo, um motor aberto e espalhado sobre uma bancada, é apenas uma coleção de peças de formas diferentes, apenas ferro frio. Não obstante, essas mesmas peças, reunidas e montadas numa fria fuselagem, transformam-se num novo ser, numa escultura acabada numa forma de arte digna de qualquer galeria. E, como nenhuma outra escultura na história da arte, o motor e a fuselagem criam vida da mão do piloto e unem a sua vida à dele. Separados, o ferro, a madeira, o pano e os homens estão presos ao solo. Juntos, podem se erguer no céu, explorar lugares onde nenhum de nós já esteve. Foi, para mim, uma surpresa aprender isso, pois sempre julgara que mecânica se resumia a metal partido e pragas em voz baixa.
" O pouco que sobrou..."
"... tive vontade de sentar na calçada da rua augusta e chorar, mas preferi entrar numa livraria, comprar um caderno lindo e anotar sonhos"
terça-feira, 19 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
"Ser" vulnerável
Semana passada ao fazer um hemograma de rotina me deparei com um resultado inesperado, descobri que sofria de alteração da tireóide e conseqüentemente teria que tomar remédios pro resto da vida. Pra quem não sabe a tireóide uma glândula pequenininha que fica no pescoço e que produz um hormônio que é responsável pelo bom funcionamento do nosso organismo, no meu caso eu o produzo pouco, por isso terei que repor com remédio.
Mas por que estou contando isso pra vocês? Porque esse resultado me deixou abaladíssima e por mais que ele seja simples e nada perto de tantos problemas grandes, posso dizer que mexeu comigo por vários motivos. Um desses motivos e, talvez o mais relevante seja o choque e a vulnerabilidade que sentimos quando nos deparamos com algo que não tenhamos controle, como é o caso em questão, e isso nos leva a refletir o quão insignificantes somos e quanto egoístas também.
Porque egoístas? É certo que o nosso problema sempre vai ser o maior problema, mesmo que nos digam que fulano tem isso ou cicrano tem aquilo. Eu por experiência própria posso dizer que fui egoísta quando fiz do meu problema o maior, pois presenciei uma amiga, da minha idade com câncer de mama e que encarou o problema com uma força incrível, por isso não aceito e não me permito fazer drama diante do meu probleminha.
A primeira coisa que vem a cabeça serei bem sincera, é o fato que vamos engordar e nisso a nossa auto-estima vai lá embaixo, por mais que seja ridícula essa forma de pensamento e totalmente egoísta, seria hipocrisia falar que não há preocupação com isso, e como não sou hipócrita admito que tive esse medo e que to trabalhando firmemente o meu psicológico. Até mesmo porque há outras preocupações em relação a isso e que são mais importantes que o fato de ganhar uns quilinhos...rs.
Por outro lado, fiquei animada em saber que meu probleminha (porque não gosto de usar a palavra doença) era só esse, e como não sou uma pessoa religiosa nem nada, agradeci aos céus, aos meus deuses e a toda força no qual acredito. Porque sim, sou um ser humano totalmente normal e clichê como qualquer outro.
Porque dividi isso com vocês? Porque às vezes somos são tão arrogantes, egoístas e mesquinhos, achamos que somos isso e aquilo, que somos donos da verdade. Importamos-nos com coisas bobas e damos valor a coisas mais bobas ainda. E aí nos deparamos com algo fora do nosso controle que pode ser sério ou não, e percebemos o tamanho da nossa insignificância nesse mundo.
Provavelmente você ta achando isso que to escrevendo um monte de besteiras e muito clichê e piegas, sim eu sei que é, mas enfim... A vida é boa, vamos aproveitar!!!!
quinta-feira, 28 de abril de 2011
O não sentido das coisas.
Ela acordou e percebeu que estava diferente, se sentia estranha, sabia de tal sensação fazia tempo, mas nesse dia ela teve certeza, sentiu o coração acelerado e certa angústia misturada com medo, e num súbito desespero, sentiu saudade...
Sentiu saudade de quando era indiferente a certas coisas e não via maldade nas pessoas. Era um dia daqueles que nada fazia sentido, nenhum sentimento, nenhum gesto, nada, absolutamente nada fazia sentido, nem mesmo estar escrevendo essas asneiras. Escrevia por necessidade, mas no fundo continuava se achando uma ridícula por isso, como tantas outras vezes.
Sentia se mal e triste por ser tão fraca e sensível num mundo de gente de aço, de pessoas fortes, vencedoras, que não sentem, deitava e pedia pra Deus, implorava pra ser indiferente, ela queria sentir menos, queria não chorar em situações comuns, e queria não se preocupar tanto, mas um simples corte no dedo a derrubava como se fosse um enorme machucado, e se sentia patética, e fraca, talvez por andar sempre com o copo cheio, até a borda.
Queria esvaziar o copo, retirar todo aquele excesso que a agoniava por dentro, queria parar de dar voltas no quarto se perguntando por que, porque se sentia desse jeito? Queria abandonar o remédio, a náusea e a interrogação.
Tentava achar respostas no passado, procurando o momento exato em que ficara assim, boba. Botava a culpa nos deuses, na vida passada, gestação, nos poetas, mas não via nenhuma lógica em nenhum deles, e sentia saudades de certa paz que um dia teve.
A incompreensão, o julgamento errado, a facilidade absurda de enxergar o fraco e o forte do ser humano a deixara vulnerável, a terrível mania boba de se importar a fizera assim, e as coisas pioravam na ausência do recíproco, seria como falar uma língua estranha num planeta onde todos falam a mesma língua.
Não era drama, não era depressão, ela não sabia o que era, mas sabia que estava triste e queria ficar feliz de novo. Queria voltar o percurso a partir do momento em que isso começou, parar, fazer uma ironia aos céus e mudar a si.
Mas caminhos percorridos já não podem ser mudados, ela sabia disso, e seguia adiante, simples assim.
Fernanda Padulli
Ps: Trilha sonora: Meu mundo e nada mais (Guilherme Arantes)
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