quinta-feira, 28 de abril de 2011

O não sentido das coisas.

 Ela acordou e percebeu que estava diferente, se sentia estranha, sabia de tal sensação fazia tempo, mas nesse dia ela teve certeza, sentiu o coração acelerado e certa angústia misturada com medo, e num súbito desespero,  sentiu saudade...
 Sentiu saudade de quando era indiferente a certas coisas e não via maldade nas pessoas. Era um dia daqueles que nada fazia sentido, nenhum sentimento, nenhum gesto, nada, absolutamente nada fazia sentido, nem mesmo estar escrevendo essas asneiras. Escrevia por necessidade, mas no fundo continuava se achando uma ridícula por isso, como tantas outras vezes.
 Sentia se mal e triste por ser tão fraca e sensível num mundo de gente de aço, de pessoas fortes, vencedoras, que não sentem, deitava e pedia pra Deus, implorava pra ser indiferente, ela queria sentir menos, queria não chorar em situações comuns, e queria não se preocupar tanto, mas um simples corte no dedo a derrubava como se fosse um enorme machucado, e se sentia patética, e fraca, talvez por andar sempre com o copo cheio, até a borda.
 Queria esvaziar o copo, retirar todo aquele excesso que a agoniava por dentro, queria parar de dar voltas no quarto se perguntando por que, porque se sentia desse jeito? Queria abandonar o remédio, a náusea e a interrogação.
 Tentava achar respostas no passado, procurando o momento exato em que ficara assim, boba. Botava a culpa nos deuses, na vida passada, gestação, nos poetas, mas não via nenhuma lógica em nenhum deles, e sentia saudades de certa paz que um dia teve.
 A incompreensão, o julgamento errado, a facilidade absurda de enxergar o fraco e o forte do ser humano a deixara vulnerável, a terrível mania boba de se importar a fizera assim, e as coisas pioravam na ausência do recíproco, seria como falar uma língua estranha num planeta onde todos falam a mesma língua.
 Não era drama, não era depressão, ela não sabia o que era, mas sabia que estava triste e queria ficar feliz de novo. Queria voltar o percurso a partir do momento em que isso começou, parar, fazer uma ironia aos céus e mudar a si.
 Mas caminhos percorridos já não podem ser mudados, ela sabia disso, e seguia adiante, simples assim.

Fernanda Padulli

Ps: Trilha sonora: Meu mundo e nada mais (Guilherme Arantes)

4 comentários:

Sandra Botelho disse...

Gostei do que vi e do que li aqui...Posso ficar?
beijos achocolatados

♥ κєκєl ♥ disse...

Olá Fernanda

Sou professora de uma escola estadual e estou aqui lhe convidando para conhecer nosso blog de LIBRAS onde o nosso objetivo é expandir a Língua de Sinais, pois somos escola pólo para atendimento da pessoa com deficiência auditiva.
Se você tiver um tempinho e interesse pelo assunto, venha nos visitar. O endereço é:

http://eeblmlibras.blogspot.com/

Abraços fraternos

Fernanda Marchioretto disse...

Não sou muito adepta do "nada é por acaso", mas hoje devo confessar que por uma vontade estranha decidir visitar seu cantinho... e me deparei com esse texto que não poderia ser lido em um momento mais propício.
Estranho, a gente é estranha às vezes. Mas me fez bem, é isso.
Beijo linda!

LookJeans - Moda Evangélica disse...

Adorei o texto, adorei seu bloog!!!